Carlos Serrão

as minhas notas e página pessoal…

Conto de Natal: “O Natal veio do Céu”

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Sim, este post não é nada geek, e sim, tb já não é Natal,… tudo isto está correcto. No entanto este é o conto de Natal que eu e o meu filhote criamos para concorrermos ao concurso no Agrupamento de Escolas da qual ele faz parte, e o qual acabou por vencer…

Aqui fica, portanto o dito…

O Natal veio do Céu

Véspera de Natal, a noite mais aguardada por todas as crianças aproximava-se a passos largos. Quico também a aguardava. Estava ansioso, doidinho para saber se os seus desejos para este Natal se iriam concretizar. Ele bem que tinha pedido uma bicicleta!!!

“Quico!” – disse a mãe, ao vê-lo assim, encostado a um canto pensativo – “Quico!”. Quico não lhe respondia. A sua cabeça não parava de pensar nos presentes que o aguardavam.

“Quico! Acorda!” – voltou a insistir a sua mãe – “QUICO!!!”. O Quico deu um pulo, e um pouco assustado lá olhou para a sua mãe dizendo – “Diz mamã… desculpa, estava distraído”.

“Pois, bem vejo andas com a cabeça na Lua. Olha, preciso que vás num instante à loja, antes que feche. Preciso que vás lá comprar uns ovos, para que eu possa fazer um pudim para o jantar de consoada. Bem sabes como o teu pai adora pudim!”

E lá foi o Quico. Saiu de sua casa agasalhado, e lá foi a saltitar para a loja. A noite já tinha caído e vestido o céu com um manto negro, pintado aqui e acolá por uns pontos brancos, que brilhavam insistentemente. Quico olhava para o céu onde as estrelas pareciam dançar e brincar umas com as outras.

De regresso da loja, o Quico pediu à sua mãe se podia ir brincar para o seu quarto. A mãe disse-lhe que poderia ir apenas por um bocadinho, pois estava quase na hora de jantar. Quando chegou ao seu quarto, começou a brincar com os seus piões, mas a sua atenção foi subitamente desviada por uns clarões luminosos que via na janela. Aproximou-se da mesma, e reparou em pequenas luzes que pareciam “dançar” lá no alto. “Estranho” – pensou – “Não me lembro de terem colocado luzes de festa!”. Reparou que, afinal, não eram luzes mas sim estrelas no céu. As estrelas, dançavam no céu, brincando umas com as outras. Não eram apenas brancas, eram de todas as cores, como que se o arco-íris se tivesse desfeito em pequenos grãos de areia. Subitamente, como que por magia, as pequenas estrelas, começaram, muito lentamente, a descer do céu sobre a pequena aldeia do Quico. Cada uma, parecia ter um destino muito bem traçado e uma a uma as estrelas entravam pelas chaminés das casas. Havia também uma estrela com destino a sua casa. Linda e com um brilho alaranjado.

“Olha, entrou em minha casa…” – disse admirado – “… tenho que ir ver o que se passa e avisar os meus pais!” Saiu a correr do seu quarto e não viu ninguém. Apenas reparou numa luz laranja que vinha da sala, onde ficava a lareira. Aproximou-se com muito cuidado, quase a medo. A luz foi ficando cada vez mais intensa. Foi aí que o Quico a viu.

No meio da sala, junto à lareira, uma luz brilhava de uma forma tão intensa, que era muito difícil conseguir olhar para ela. De repente ouviu uma voz…

“Quico. Já sei que estás aí… podes aparecer, eu não te faço mal.” – disse uma voz doce e melodiosa – “Estou aqui apenas porque tu pediste. Eu sou a tua estrela.”

O Quico estremeceu, não sabia muito bem se de medo, se de espanto. Uma estrela, daquelas que há no céu, no meio da sua sala, e ain

da por cima sua? Um pouco a medo, aproximou-se mais e dizer qualquer coisa.

Imagem_conto

“Uma estrela? Minha? Tenho uma estrela? Porquê? E o que estás tu aqui a fazer? Mas as estrelas não ficam no céu? Mas…” – o Quico não parava de fazer perguntas, tantas eram as suas dúvidas.

“Calma, uma pergunta de cada vez. Para mim também foi uma surpresa. Devias estar a dormir…” – disse a estrela, também ela surpreendida com a presença e com as perguntas do Quico – “… mas eu explico-te tudo. Todos os meninos têm uma estrela no céu. Uma estrela que olha por eles… que os protege, que os ajuda, e que escuta todos os seus desejos e anseios.” – disse. Continuou, enquanto Quico escutava – “Sempre que um menino precisa de ajuda, a sua estrela desce do céu e vem ajudá-lo, sem que ele perceba, claro. Esta é a única altura do ano em que todas nós descemos do céu – na noite de Natal.”

“Mas porque descem todas na noite de Natal? Todos os meninos precisam de ajuda?” – perguntou.

“Não… mas como te disse… somos nós que escutamos os desejos dos meninos, e que os satisfazemos se eles se portarem bem. Diz-me lá Quico, tu não querias uma bicicleta neste Natal?” – disse-lhe a estrela enquanto piscava o olho – “E foste um menino bem comportado?”. Quico, admirado pela conversa e pela estrela conhecer o seu desejo, respondeu afirmativamente.

“Pois, eu sei sim. Sei que te comportaste lindamente e que foste um menino obediente e bom aluno. Não te esqueças que a tua estrela sabe tudo sobre ti e tudo vê. Nunca te esqueças disto. Por isso, vim para satisfazer o teu desejo, e trouxe a tua bicicleta.” – disse a estrela, enquanto apontava para um linda bicicleta, coberta aqui e acolá pelo pó alaranjado e reluzente de estrelas. Quico não cabia em si de contente.

“Mas afinal não é o Pai Natal que nos traz as prendas?” – perguntou curioso o Quico. “Mas tu achas que o Pai Natal tinha tempo para trazer prendas para todos os milhões de meninos que existem no Mundo? Achas mesmo?”. Quico concordou com a estrela. “Vá, agora vou-me embora. Vou voltar para o pé das minhas irmãs estrelas. Adeus e até para o ano. Porta-te bem…”

De repente ouviu uma voz distante. “Quico… Quico, acorda!!! Quico!” Era a voz da sua mãe. O Quico abriu os olhos e viu a mãe a olhar para ele. Afinal tudo não tinha passado de um belo sonho. “Quico, estavas a dormir tão bem, que nem te acordei para jantar. Anda, vem ver os presentes”, disse-lhe a mãe.

Quico saltou da cama e foi a correr para a sala. Afinal tudo aquilo não tinha passado de um sonho – “as estrelas a entregarem presentes, que patetice…” – pensava ele. Quando chegou à sala viu a sua bicicleta nova, ficou maravilhado. Nova. Linda. E brilhante! Brilhante?!? Que pó que brilhava seria aquele? Não pode ser… era pó de estrela!

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E pronto, é só isto 😉

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