Carlos Serrão

as minhas notas e página pessoal…

Ironias do Magalhães

| 3 Comments

Eu acho que a iniciativa do Magalhães é de louvar. Acho verdadeiramente que quanto mais cedo as nossas crianças tiverem contacto com as novas TIC, melhor preparadas estarão para encararem o futuro. Independentemente de tudo o que já foi dito sobre o oportunismo político da iniciativa, da escolha do fornecedor e da plataforma, dos parceiros, etc. acho que a iniciativa pode ser vantajosa. No entanto, existem algumas coisas que não foram devidamente pensadas e salvaguardadas.

Como pai que sou de um filhote que entrou este ano para a 1ª Classe, fui esta semana convocado para uma reunião de pais, em que o único ponto a discutir era o Magalhães.

A professora lá explicou o melhor que podia e sabia, o processo de obtenção dos respectivos Magalhães. Ou seja, neste momento os professores do nosso país estão preparados para explicarem aos pais como podem obter (gratuitamente ou não) os mini-computadores que os seus filhos irão (ou não) usar nas aulas.

O que os professores não estão preparados para responder ainda é o que vão as nossas criancinhas fazer com os mini-computadores. Nada. Em duas ou três perguntas percebe-se imediatamente que os próprios professores ainda não sabem o que fazer com os computadores e que tipo de actividades vão desenrolar nas aulas – os próprios professores ainda nem sequer tiveram contacto com o Magalhães, pelo menos na escola do meu filho.

Outra coisa importante é que os computadores não vão ficar na escola. Isto é, os alunos terão forçosamente que transportar o computador de casa para a escola e da escola para casa. Felizmente isto não irá acontecer todos os dias. Mas a avaliar pelo tratamento que os miúdos dão às mochilas na escola (é natural, pois são crianças), preocupa-me, por mais resistente que o Magalhães seja, o estado destes computadores ao fim de algum tempo. E depois, quem assume os custos de reparação/substituição dos mesmos?

Isto para não falar do risco dos miúdos serem roubados a qualquer momento, mesmo dentro da escola.

Mas aquilo que eu acho que é verdadeiramente a “cereja no topo do bolo” é o facto das salas de aula não estarem minimamente preparadas para receberem os Magalhães. Por exemplo, na sala de aulas existe apenas uma tomada de energia, à qual está normalmente ligada a televisão. Ou seja, isto significa, que os miúdos (e os respectivos pais) vão ter que ter o cuidado de carregar a bateria dos portáteis, antes dos mesmos saírem de casa. E visto que as baterias dos mesmos, dependendo da utilização, permitem uma autonomia de entre 2 a 3 horas, as actividades desenvolvidas pelos alunos nas aulas com o Magalhães, terão que ser muito concentradas no tempo.

Enfim, apesar de achar que a iniciativa até é positiva, existem alguns aspectos que deveriam ter sido considerados primeiro – preparação dos professores e das salas de aula para começar.

  • Carlos Afonso

    Formar/treinar professores para a aplicação do Magalhães (ou qualquer outro dispositivo tecnológico) exigiria que se fizesse planeamento.Idem, aspas, aspas para se verificar e alterar, caso fosse o caso, a instalação eléctrica das salas de aula.Ora, por vezes a pressa de fazer algo leva ao salto dessa etapa.Depois os resultados finais é que irão contar, uma melhor ou pior formação das crianças; um maior ou menor desperdício de recursos, privados e públicosPara se saber se o Magalhães fará ou não sentido seria necessário saber quais os objectivos da sua introdução, para se poder saber se foram alcançados (no futuro).

  • Anarod

    Não esquecendo aquelas escolas primárias perdidas naquelas aldeias espalhadas pelo nosso Portugal… Não vão ter aquecimento e outras pequenas coisas básicas no Inverno, mas vão ter um “Magalhães” para se prepararem melhor para encarar o futuro…ou será que essas criancinhas não fazem parte deste nosso país? Assim vai o este país e o futuro dele…

  • Maria

    É uma pena que essas mesmas crianças não tenham apoio para a utilização, atraves de pessoas licenciadas… pois existem muitos meninos por este país fora que nem tem que comer quanto mais alguém que os apoio numa correcta utilização dos materias disponibilizados, depois existem também os que os papás não tem TEMPO para os acompanhar… neste projecto existem uma grande falha, a dos recursos humannos. já tem aulas de musica, ginástica, inglês, e as TICs?

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