Carlos Serrão

as minhas notas e página pessoal…

O Sistema Operativo do Futuro

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Este é o tema do mês do PlanetGeek.

Este tema é difícil… até mesmo porque nesta área das TI é difícil prever a mais de 5 anos de distância, e mesmo assim, todas as previsões são arriscadas. Não me vou prender muito sobre o debate tradicional entre Windows, Linux e Mac, mas vou antes concentrar-me um pouco mais nas características que estes SO do futuro deverão ter. Estas lutas de que o meu SO é melhor que o teu, não levam a lado algum.

Assim, acho que os sistemas operativos no futuro deverão/terão que ser…

Mais intuitivos e user-friendly

Este é um aspecto crucial dos sistemas operativos e não só. A forma como interagimos actualmente com os computadores é arcaica, e o teclado e o rato estão perfeitamente ultrapassados. O que se pretendem são formas mais inteligentes e intuitivas de interacção baseadas na voz, no tacto e na visão. Para além disto, as interfaces terão que ter a capacidade de aprenderem com o utilizador e de se irem auto-adaptando ao mesmo, com a possibilidade de migrarem com o utilizador – isto é, se o utilizador mudar de sistema, a sua forma de interagir com o mesmo não deverá (ou deveria mudar). Com isto ganhava-se em termos de mobilidade, e reduziam-se drasticamente as barreiras à entrada de novos sistemas.

E nada disto é pura ficção científica. Existem já muitos exemplos, inclusive dentro do meu laboratório de investigação, de inovadoras formas de interacção homem-máquina, e que decerto irão ter um papel importante no futuro dos sistemas operativos, pelo menos aqueles mais voltados para o desktop.

Ubiquidade

Procurar ter sistemas perfeitamente ubíquos deveria ser outra das lutas dos SO do futuro. Imaginem um sistema operativo que não oferece quaisquer barreiras à execução de qualquer aplicação, independentemente do local, ou do dispositivo que estejemos a utilizar.

Esta é sim uma característica que os fabricantes deveriam procurar mais e mais nos sistemas que oferecem. Imaginem estar a preparar uma apresentação usando o Powerpoint no vosso PC com Windows no trabalho, no caminho do trabalho para casa, nos transportes públicos, usarem o vosso telemóvel ou PDA para continuar a preparação da apresentação, para quando chegarem a casa poderem terminar essa mesma apresentação no vosso sistema Mac OS.

Este característica proporciona uma liberdade total de mobilidade do ambiente de trabalho, e uma adaptação automática ao local onde nos encontramos e ao dispositivo a usar, de uma forma completamente (ou quase) transparente do utilizador final.

Interoperabilidade

Directamente relacionado com a característica anterior está a interoperabilidade. Para que esta característica possa ser uma realidade nos sistemas operativos do futuro, estes devem apostar cada vez mais na definição e utilização de standards abertos, de forma a facilitar a troca de informação entre SOs e desta forma facilitar em muito a forma como os utilizadores tiram proveito dos seus sistemas.

A interoperabilidade, apesar de ser muito apetecível do ponto de vista dos utilizadores finais, encontra fortes barreiras nos fabricantes de SO, pois faz com que as barreiras à entrada de novos concorrentes baixe significativamente. Do ponto de vista de distribuição de software é igualmente interessante…

A Rede como Sistema Operativo

Penso que com tudo o que tem vindo a acontecer nesta era de Web 2.0, não restam muitas dúvidas que a Internet e a WWW já fazem parte do próprio sistema operativo. No entanto esta integração precisa de chegar a um novo nível… uma integração tão profunda que integre os diversos serviços disponíveis em rede, directamente no desktop do utilizador.

Hoje em dia já se fala muito em web-desktop, algo que no futuro se irá banalizar, e fará com que a única aplicação que iremos precisar no desktop do nosso SO seja um browser web. Tudo que seja gestão de ficheiros, aplicações, colaboração entre outras, será assegurado por servidores de web e/ou aplicacionais, espalhados pela rede.

Em tempos falava-se de NC – Network Computers, computadores thin, com poucos recursos, e que usavam as capacidades de servidores remotos. Esta ideia foi um pouco colocada de lado, visto que o custo do hardware baixou muito significativamente. Mas, numa era em que as aplicações web estão cada vez mais evoluídas, e a largura de banda é cada vez maior, parece que os NCs estão de volta.

Segurança

Um dos principais aspectos de um “bom” SO é a segurança. Investimentos por parte dos fabricantes de SOs vão continuar a ser realizados neste sentido (em conjunto com os fabricantes de hardware), para oferecer uma plataforma aos utilizadores que seja gradualmente mais segura.

Iniciativas como o TPC – Trusted Computing, oferecendo acesso a memória cifrado, acesso a disco cifrado e oferecendo ambientes de execução controlada, vão permitir aumentar a segurança do SO, e dos dados dos utilizadores. Este tipo de iniciativas vão continuar o seu desenvolvimento de forma segura e progressiva, tendo como objectivo principal, oferecer um SO que ofereça garantias de elevada segurança.

E isto são apenas algumas das novidades que estão a chegar, ou que estão para chegar no Mundo dos SO.

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