Carlos Serrão

as minhas notas e página pessoal…

Segurança rodoviária (parte 1)

| 8 Comments

Apesar de não ser um assunto muito “geeky”, a segurança rodoviária é um assunto muito em voga nos dias de hoje, em especial no dia de *hoje*. Em especial porque foram tornados públicos os dados relativos aos sinistros ocorridos este ano comparativamente aos de igual período do ano anterior. Os números são idênticos.

Como não poderia deixar de ser existem diversas interpretações para os mesmos. Se por um lado a interpretação oficial que o Governo dá é a de que existe uma tendência para a consolidação dos números de sinistros, por outro a oposição queixa-se que pouco foi feito em termos de prevenção rodoviária, e que, em parte estes números explicam-se por essa falta de investimento – que diga-se foi canalizado da prevenção para a aquisição de novos computadores para os carros da Brigada de Trânsito.

Todos nós temos uma opinião formada sobre a condução e sobre os condutores em Portugal. Será que em Portugal se conduz mal? Em minha opinião: sim e não. E em Portugal, conduz-se pior ou melhor do que noutros países por essa Europa fora? Em minha opinião: pior que em países como a França e Inglaterra, mas bem melhor que em países como a Itália.

E como se pode explicar isto? E como se explicam os números negros nas nossas estradas todos os anos? Existem diversos factores, alguns deles sobejamente conhecidos e outros talvez um pouco ignorados. Aqui fica uma listagem (que na verdade não é muito completa, e que irei acrescentando mais coisas à medida que for colocando mais posts sobre este mesmo tema):

  • Carta de condução. Tirar a carta de condução (pelo menos quando a tirei) envolve fazer dois exames, um teórico e um prático. Para conseguirmos fazer o exame teórico temos que ter um mínimo de aulas teóricas numa escola de condução, que depois nos propunha para exame. O exame era constituído por um conjunto de perguntas de escolha múltipla, com perguntas sobre regras e outras sobre sinais. Havia um número mínimo de perguntas que se poderiam errar, caso contrário ter-se-ia que repetir o exame. Depois desta fase ultrapassada, vinha a fase de aprendizagem da condução propriamente dita, em que em conjunto com um instrutor tínhamos um número de aulas de condução, e depois éramos propostos a exame. No exame de condução, tínhamos que dar uma voltinha de carro e fazer o que o avaliador nos mandasse. A questão que se coloca no final é: estão as pessoas no final da submissão a este processo habilitadas a conduzir uma viatura – legalmente sim, mas na prática não. Na verdade, a maior parte dos recém encartados (eu incluído) aprendem no dia a dia de utilização do carro a conduzir, quando são deparados com a maior variedade possível de situações.
  • É precisamente aqui que a aprendizagem falha, a meu ver. Nunca, durante a fase de aprendizagem, em especial na parte prática, os candidatos são colocados em condições extremas de condução. Por exemplo, condução com chuva intensa ou estrada molhada, conduzir com trânsito intenso, conduzir em filas de trânsito, conduzir sob situações de stress intenso, enfim, existe um sem número de situações que poderiam e/ou deveriam ser colocadas aos candidatos a condutores e que estes deveriam abordar antes de terem permissão para conduzir na estrada junto a outros condutores. Antes ainda existia a obrigatoriedade de usar um dístico na viatura, que durante os dois primeiros anos de carta, impedia os condutores de conduzirem a mais de 90 Kms/h, e ao mesmo tempo avisava os demais condutores, para um condutor menos experiente – mas isso acabou.
  • Um outro aspecto que deveria ser tido em linha de conta na obtenção da carta de condução, deveria ser o aspecto psicológico. A meu ver, não basta um exame muito superficial do ponto de vista físico, para atestar que um determinado candidato está apto ou não a conduzir um automóvel. Dever-se-ia igualmente tentar avaliar esse mesmo candidato do ponto de vista psicológico, de forma a aferir se o mesmo tem todas as condições psicológicas para conduzir uma viatura, e limitar a possibilidade de comportamentos violentos ao volante. Directamente relacionado com isto está a situação da renovação das cartas de condução, que deveria ser muito mais frequente, menos espaçada, e mais específica.

Para já vou ficar por aqui, mas na próxima parte outros assuntos/questões serão igualmente levantados sobre esta temática.

  • Nuno Loureiro

    Carlos,Na minha modesta opiniao, os motivos que focas são insignificantes e não focas o verdadeiro motivo – falta de civismo.Nos últimos anos tenho convivido bastante com culturas diferentes e conduzido em muitos outros paises fora de Portugal. Há coisas que realmente só vejo aqui.Ainda hoje na A1 presenciei dois tipos que iam provocando varios acidentes. Caso tipico de fila na faixa da esquerda para ultrapassagem e xico esperto que resolve ultrapassar pela faixa da direita e meter-se para a esquerda em cima dum carro com um espaço que nem sequer dava para estacionar. Após isso seguiu numa autentica gincana para a esquerda e para a direita. Eu só via as luzes vermelhas dos travôes dos carros que “levavam” com este anormal, seguido de sinais de luzes. Este caso e muitos outros identicos não se revelam em exames para cartas de condução nem foi o instrutor de condução que lhe ensinou.Ainda no mês passado aprendi noutro país, que um carro que para na passadeira so recomeça a marcha quando o peão estiver de volta no passeio.Cá no Burgo mal o peão passa (ou em caso extremo quando já está a atravessar a outra faixa de rodagem) o carro arranca logo.Também aprendi noutra altura que quando se ouve um carro em marcha de urgência que toda a gente encosta à esquerda ou direita respectivamente e PARA até o carro passar (independentemente de onde vem). Todos sabemos que cá muitas vezes nem o carro em marcha de urgencia consegue passar..São pequenos exemplos, mas que demonstram a falta de civismo que por cá se vive na estrada. Claro que isto se aprende primeiramente em casa ou quando somos putos, mas também deveria ter um enfoque muito especial nas escolas de condução.Abraço

  • Carlos Serrão

    Nuno,obrigado pelos teus comentários… mas repara que eu ainda não havia terminado. Este é apenas um dos vários posts que pretendo fazer sobre isto, e o civismo (ou a falta do mesmo) tb vinha à baila. Mas concordo contigo…Mas parece que a falta de civismo não afecta só os tugas, ainda hoje na estrada que liga a A2 à Pte. Vasco da Gama, vi um carro de matricula Belga, colado no carro da frente na faixa da esquerda a alta velocidade a tentar ultrapassá-lo (ou passar por cima dele). Assim que o carro da frente encostou para a direita, vi o belga a passar-lhe ao lado e a encostá-lo quase para fora da estrada… e isto é normal na Bélgica?Um abraço.

  • Carlos Serrão

    Nuno,só mais uma coisa… não sei se estiveste por Itália :-)

  • Nuno Loureiro

    Ah, outro caso de civismo que só vejo cá e em paises como o nosso é a falta de consideração pelos peões. Os carros estacionados em cima de passeios e aqueles que bloqueiam por completo a passagem de peões são ao mato numa cidade como Lisboa ou Porto.Uma vez presenciei uma anormal a parar o carro na ilha de passeio entre semaforos, que fica no meio da estrada entre o largo do chiado e a praça de camões. Essa “ilha” é o local onde os peões param a meio da travessia do chiado para o largo de camões. É de ficar de boca aberta com tamanha falta de respeito. Aquela ilha está *sempre* cheia de pessoas à espera para atravessar a rua.Outro exemplo que acho que deveria ser bem mais punível é o estacionamento imediatamente antes e depois das passadeiras. É dificil para o peão e maioritariamente para o condutor, pois este último não sabe quando um peão está a tentar atravessar a rua e em muitos casos resulta mesmo em atropelamento com culpa do condutor claro, sem que o anormal que lá estava estacionado seja responsabilizado também.Enfim, há muitos casos, mas todos se resumem ao civismo e bom senso.Desculpa lá a intromissão no teu blog mas fui escrevendo escrevendo e acabou assim… :-)

  • Nuno Loureiro

    Por acaso ainda não estive em Itália, mas se calhar estive num pior – Marrocos (conduzi 3 mil km lá). Claro que há países piores do que o nosso, apenas estou a comparar o nosso com os “melhores” que nós (nesta questão claro).

  • Nuno Loureiro

    Carlos, tens a certeza que esse Belga não era um imigrante português? :-)

  • Carlos Serrão

    Podes comentar à vontade, não é intromissão nenhuma. É para isso que servem os blogs :-)

  • Carlos Serrão

    Quanto ao belga… pois não posso garantir que não fosse um emigrante tuga, claro. Mas acho que a falta de civismo não e um exclusivo só nosso.

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