Carlos Serrão

as minhas notas e página pessoal…

Lembrar o 9/11

| 3 Comments

Amanhã celebra-se mais um ano sobre o tristemente célebre 9/11. O 9/11 e o ataque às torres do WTC ficou gravado na minha memória, e infelizmente contribuiu em decisivo para a minha fobia a voar. Ainda me lembro como se tivesse sido hoje…

Media_httphomeisctept_zpcqg

Estava em Louvain-La-Neuve, na Bélgica, perto de Bruxelas, quando tudo aconteceu. Tinha viajado para a Bélgica no dia anterior, e estava lá com dois colegas na reunião de kick-off de um projecto europeu. Era já da parte da tarde na Europa, e estávamos numa altura em que estávamos a ter uma reunião dividida por duas salas com dois grupos de trabalho distintos. De repente o telefone toca. Era a minha mulher a partir de Portugal a perguntar-me se eu estava a ver televisão. Antes que tivesse tempo de responder, ela diz-me: “é que estão a cair aviões por todo o lado”…

Na altura a confusão era muita, nem ela me conseguia explicar se era um ataque, se eram aviões comerciais ou militares, se era apenas nos EUA ou em todo lado, enfim… não havia informação suficiente na altura.

Resolvi informar os meus colegas e parceiros do que se sucedia. Lembro-me bem das suas caras de incrédulos. Fomos informar o pessoal que estava a outra sala, mas eles já sabiam, e inclusive estavam a ver televisão. Eu não podia acreditar no que estava a ver… mais parecia um filme de Hollywood.

A reunião terminou cedo… não havia cabeça para continuarmos a discutir as coisas relacionadas com o projecto, pois elas só pensavam no que estava a acontecer. Chegamos ao “hostel” onde estávamos, e havia apenas uma televisão numa sala comum. Fomos a correr para lá, e estavam todos de olhos pregados na mesma, a ver o desenrolar dos acontecimentos.

Foi uma altura complicada… ninguém tinha a certeza do que dizia, e eram avançadas várias hipóteses. O número de mortos avançado era de entre os 10.000 e os 20.000. Era assustador…

No dia seguinte, regressava a casa… mas não sabia muito bem como. O tráfego aéreo estava um caos. Nem sabia se teria avião ou não. Fomos para o aeroporto. O nosso voo estava marcado para as 22h00. Partiu às 00h30.

Ainda me lembro que o clima dentro do avião era estranho… lembro-me de “varrer” a cara de cada um dos passageiros a ver se algum tinha um olhar suspeito. Lembro-me de olhar com desconfiança de cada pessoa que se levantava para ir à casa de banho no avião.

Aterramos em Lisboa já passava das 03h00. O aeroporto de Lisboa estava praticamente deserto, e os polícias armados até aos dentes. A minha mulher e os meus sogros esperavam-me.

E estas são as minhas memórias do 9/11.

  • Carlos Afonso

    Eu tinha acabado de regressar do almoço com alguns colegas de uma empresa de manutenção de avionetas ( vox populi para aeronaves com peso máximo à descolagem inferior a 2000 kg). Na escola os alunos e instrutores estão na sala de estar a ver televisão na CNN quando vêm algo estranho.O coronel (na reserva) que a dirigia disse algo seraficamente que X aviões tinham aterrado.Após algum espanto fez-se várias previsões do que viria a suceder. Em Tires foi implementado um estado de prevenção, com exigência até aí não vista de identificação à entrada e saída.Durante alguns tempos juntaram-se aos seguranças alguns soldados da GNR.Só os trabalhos dos funcionários da manutenção da câmara mantiveram o seu ritmo de trabalho. Chegada de manhã por volta das 10h 30, intervalo da manhã, início dos trabalhos propriamente ditos até cerca das 12h. Intervalo para almoço e para picar o ponto com regresso por volta das 15 horas, prosseguir os trabalhos até cerca das 16h 30, retorno à base.Eram as únicas pessoas que não se aborreciam de esperar para entrar nas instalações do aeródromo.

  • Luís Miguel Silva

    E se posso acrescentar, as tuas memórias nem são nada más em comparação com os pobres coitados que ficaram sem os familiares.Hugz,Luís

  • Carlos Serrão

    @LuisSem dúvida…

  • RSS
  • Twitter
  • Buzz
  • LinkedIn
  • Flickr