Carlos Serrão

as minhas notas e página pessoal…

Eu já esperava isto…

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Depois do meu post aqui sobre a minha posição face ao DRM, eu já esperava reações ao mesmo.

Isto é perfeitamente normal, faz parte do processo normal de ter a opinião partilhada na Web, embora confesse que não esperava que me chamassem de intrujão!!! Mas pronto, cair no insulto é sempre o caminho mais curto e fácil…

Aqui fica a minha curta resposta (educada) ao Rui Seabra do Blog SoftwareLivre, e vice-presidente da ANSOL, pela qual tenho imenso respeito .

O argumentos e os contra-argumentos:

Se pode ser ouvido/visto pode ser copiado“… “os contrafactores em massa e em escala comercial conseguem sempre compensar os custos de contornar as barreiras artificiais“: para começar, e isto é uma das coisas que, em minha opinião, está errada, é a confusão que é feita entre a gestão dos direitos e a protecção contra cópia. São duas coisas diferentes. São dois conceitos diferentes. O DRM, tal como eu o entendo, serve para gerir a forma como os conteúdos digitais podem ser utilizados pelos diferentes actores no sistema. Não serve para impedir que esses mesmos actores possam copiar esses mesmos conteúdos. Existem determinados cenários em que isso é benéfico, outros em que não. Mas se quisermos ir por aí, decerto o Rui já deve ter ouvido falar em watermarks, em Secure Audio Path, em Trusted Computing, entre muitos outros exemplos. Mas como lhe disse, isto é Copy-Protection, não é DRM;

A única forma de não a alterar é não introduzir barreiras artificiais.“: mais uma vez está a ser muito redutor. Mas o DRM não é uma barreira artificial, no sentido que lhe pretende atribuir, é sim, a representação tecnológica do que já existe no mundo analógico em termos de gestão de propriedade intelectual. E estou mais uma vez a referir-me a gestão de direitos e não a protecção contra cópia, que como disse anteriormente é diferente. Ou será que defende que não devem ser geridos os direitos de propriedade intelectual no mundo digital? Ou será que não está igualmente de acordo com o modelo de gestão de propriedade intelectual do próprio mundo analógico?

O custo para o DRM estar disponível em todas as plataformas é inversamente proporcional à quantidade e evolução das plataformas.“: não percebo este seu argumento. Se está a tentar a dizer que quanto mais plataformas diferentes existirem, menor será o custo do DRM estar disponível nessas plataformas (logo, inversamente proporcional), só me estará a dar razão. Mas isto é altamente discútivel, e não me parece que apenas com um “bate boca” cheguemos a alguma conclusão decente.

Os utilizadores NUNCA serão tidos em conta.“…”Não existe nenhum aspecto positivo do DRM, porque o DRM é imposto aos utilizadores, e não algo no seu controlo“: face aos actuais modelos de negócio isso é verdade. Mas se ler atentamente o meu post, vai verificar que eu também não estou de acordo com isso, porque é o modelo que existe actualmente. Agora imagine o cenário em que pode pagar muito mais por não ter DRM e muito menos se tiver DRM (ou até nem pagar nada e ter um pequeno anúncio publicitário). Por outro lado, se virmos o problema do lado dos autores, se lhes dissermos que não teremos qualquer gestão dos direitos dos mesmos, e que os seus trabalhos poderão ser usados indescriminadamente, eles se calhar também não ficam muito felizes (digo eu).

O DRM NUNCA será interoperável“: esta afirmação faz-me lembrar uma afirmação que um certo senhor chamado Bill Gates proferiu à muitos anos atrás sobre que 640Kb seriam mais do que suficientes para correr qualquer aplicação num computador. Isto é o que se chama dar um tiro no próprio pé. E a não ser que o Rui tenha dotes de médium, não pode fazer afirmações absolutas como esta. Está a colocar em causa o trabalho de muitas pessoas por esse Mundo fora, e que têm provas dadas na comunidade científica internacional a estudarem e a trabalharem neste mesmo problema.

Para mim, o DRM goza de uma publicidade muito negativa, em virtude de estar muito associado à má imagem que a RIAA está a deixar em todo o mundo. Confundem-se as coisas, confundem-se os conceitos, mistura-se tudo, fala-se muito, tiram-se conclusões precipitadas, e aprende-se pouco. Lamento que assim seja…

Esta é a resposta possível, no tempo possível.

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